💓💓💓💓 Bom
Definitivamente INCRÍVEL, esse talvez seja o maior elogio que eu consiga fazer a esse filme pois eu definitivamente não tinha muitas expectativas sobre esse lançamento da DC (sim sou um pouco chato com relação a filmes mas nada que não possa ser superado) porém uma das melhores cenas do 1ª Filme é a da terra de ninguém onde a Diana toda corajosa e sem demonstrar medo vai de encontro aos tiros que vem em sua direção, demonstrando apenas uma determinação pro desespero de Steve Trevor que logo além de ficar “tranquilo”, fica é boquiaberto por ela conseguir em pouco tempo uma coisa que os soldados não conseguiam por anos (avançar para a cidade mais próxima) e a partir daí todo o primeiro filme se desenrola temos uma cena final no mínimo questionável (No CGI) e assim o primeiro filme acaba.
Anos se passam e temos o anuncio do 2ª filme da heroína (o primeiro foi um sucesso comercial) e foi o primeiro grande sucesso de público e crítica da DC depois de um começo no mínimo questionável do início do Universo DC comandado por Zack Snyder, mas deixando todo esse passado de lado focaremos nessa nova aventura do Universo DC.
Diferente de outras obras que utilizam a década de 80 nos EUA com certo apelo nostálgico, este novo filme da Mulher-Maravilha coloca a contextualização oitentista como a introdução de um conflito. 1984 não é apenas o título do famoso livro de George Orwell, como foi o ano da reeleição do presidente Ronald Reagan e a abertura econômica e política da União Soviética, quase o fim da Guerra Fria. Não que este novo filme da DC trate especificamente de política ou das discussões futuristas de George Orwell, mas dentro da história da cultura pop com o advento da MTV, os computadores pessoais da IBM e da Apple e a moda de roupas futuristas, juntamente com essas movimentações históricas internacionais, cria-se o mote perfeito para o discurso da heroína de Themyscira sobre a verdade ser mais poderosa que os desejos.
Independentemente da época em que se passe, seja nas séries de TV de Lynda Carter de 1975 ou nos filmes modernos, Diana Prince sempre foi um centro de aprendizado emocional, temporal e social. Assim, a escolha da diretora Patty Jenkins em sempre exercitar a memória da infância da protagonista com as amazonas é o tratamento didático e embelezado de centralizar os valores da Mulher-Maravilha que persistem no tempo, semelhante à filosofia grega para o estudo da História Antiga. A heroína, neste filme, como cientista da história, enfrenta exatamente o dilema amoroso da historiografia com a memória e o passado em conflito com o desejoso presente a se descobrir a verdade.
E é nesse sentido primariamente que os anos 80 se torna apenas o pano de fundo para uma narrativa reversa onde agora é Diana que apresenta o mundo moderno para Steve (as roupas, o trem, o avião, a televisão entre outros itens dos anos 80) mas algo vai além dessa ambientação que é o fervor das propagandas estadunidenses na televisão sobre conseguir tudo o que você quer no mundo empresarial, tanto que Steve Trevor como seu desejo amoroso do passado, reflete um dilema na vida da protagonista que é ser a heroína do presente sem os atalhos temporais e com a estrutura na forma de contar a história nesse segundo filme da Mulher Maravilha o que realmente se assemelha a um filme dos anos 80.
Desde o artificio do roteiro macguffin que realmente está presente nos filmes dessa década como Caçadores da Arca Perdida, Os Goonies, De Volta Para o Futuro, que desde o inicio demonstram que tem um objeto como o centro da trama – até algumas conveniências de roteiro que avançam na história sem que muita racionalização de sequências de atos na montagem seja exigida, a experiência com o novo filme de Patty Jenkins parece realmente de fato oitentista. Embora isso nos lembre uma dinâmica nostálgica, na verdade enfatiza o discurso de que Diana aprende com as amazonas sobre a verdade, a moral de não se ludibriar com atalhos e com os desejos que acabam por se tornarem egoístas. Toda essa toada do filme se assemelha muito com o primeiro filme lá de 2017, quando a heroína culpabiliza todas as maldades da guerra causadas apenas pela figura do vilão Ares e existe ai uma verbalização de que nossa heroína acredita no poder do amor, Porque no geral os dois filmes se assemelham em momentos chave mas aqui não há momentos os chamados momentos austeros embebidos no visual de Zack Snyder ou em momentos sérios e apenas uma paixão da diretora pelo entretenimento dos anos 80 para fundamentar todo o drama emocional de uma heroína que tem um grande significado humanitário.
Desta forma e ao mesmo tempo este filme traz novas cores, habilidades e ares - literais – para a Mulher Maravilha, voar, se apaixonar, se encantar pelo Cairo, ao ponto da composição sonora de Hans Zimmer que faz ausentar o rock apresentando pelo compositor do primeiro filme Rupert Gregson-Williams, que preservou uma parte do tema aqui apresentado em Batman v Superman, para que Zimmer de mais ênfase ao coral de mulheres e ao tom mais aventureiro/épico que é uma maravilha pois te lembra das nostálgicas sessões da tarde dos anos 80 com cenas de ação que fomentam mais o conflito do desejo que Diana possui do que o heroísmo. Mas tocando nesse ponto do heroísmo; quanto a salvar pessoas nas ruas e tendo uma perspectiva no imaginário urbano que tanto foi mostrado nos filmes do Superman de Richard Donner, ou nos Homem-Aranha de Sam Raimi, aliás esse é o ponto de engate entre a relação da heroína com a antagonista (Bárbara Minerva – Kristen Wiig). O debate feminismo e antimachista está colocado aqui de uma forma mais direta nos dramas de Barbara que está inteiramente interligada no conflito moral de Diana sobre como ela pode ser melhor inserida socialmente, na violência contra assediadores e na sororidade entre as personagens femininas. Mas até nisso Patty Jenkins trata de maneira diferenciada, eu diria até de certo modo pessoal, tendo em vista que o empoderamento feminino da protagonista não advém da independência masculina, e sim que a verdade sobre a força de Diana, desde criança em Themyscira até os anos 80 em Washington, EUA, que é sua moral heroica que salva pessoas com o laço da verdade e luta com a tiara bumerangue.
No geral é um filme que não explica muito de seus significados e vai progredindo sem grandes entraves lógicos, embora exista aí um didatismo discursivo emocional de uma mulher que é vista como símbolo e como amazona. Existe uma paixão que a diretora coloca nos momentos entre Steve e Diana e até certo ponto em um momento familiar e dramático do vilão Maxwell Lord (Pedro Pascal), mas esse fica apenas no âmbito emocional. Porque todo o anseio a verdade sem atalhos para os desejos que cada ser humano pode pedir, está relacionado as “verdades do coração”, mesmo que isso soe brega e até piegas em tempos em que as pessoas são convencidas por Fake News, é nessa medida até controversa que está a graça do universo por que aqui as pessoas acreditam em Maxwell Lord e na vida real se deixam levar por verdades que veem em redes sociais. Essa correlação entre o filme que se passa nos anos 80 e em comparação com os dias atuais se torna critica dentro dos parâmetros oitentistas para que o mesmo efeito do passado que Diana sente o telespectador possa sentir também que é o de renunciar desejos em prol da verdade, o dogma das amazonas.
Por fim Mulher Maravilha 1984 até que se delimita temporalmente de formas variadas, seja em título, modelo cinematográfico ou em engajamento cultural, mas um ponto aqui citado por mim pessoalmente é de que a força feminina presente na super heroína transcende ao seu modo a sua representatividade diante do tempo. A finalização desse filme se mostra como o símbolo humanitário que todos os filmes de super heróis deveriam seguir sem se envergonhar se são para “crianças”, assim como na questão humana quanto nos dilemas amorosos vividos pela protagonista. O amor que sente por Steve Trevor a torna ainda mais emponderada, mas também por amar tanto um homem sem medo que não quer muda-la: na verdade ele a incentiva a voar e presente nessa simbologia entre eles também é capaz de mudar os homens da sociedade.
Parece ser a crença da diretora Patty
Jenkins que aqui tem mais voz do que nunca nesta grande produção hollywoodiana,
e além de crer no amor, como é dito no filme anterior, segue acreditando numa
verdade inabalável que ajusta os desejos e que harmoniza os seres humanos em
empatia, até orando pelo arrependimento. Algo que soa utópico demais, idealizado
demais e em certo ponto romântico demais... mas não é essa a grande magia que a
Mulher Maravilha, encarnada na atriz Gal Gadot – após ser interpretada por
Lynda Carter – representaria o live-action além das tradicionais HQs?
Mulher-Maravilha
1984 (Wonder Woman 1984) – EUA, 2020
Direção: Patty Jenkins
Roteiro: Patty Jenkins, Geoff Johns, Dave Callaham
Elenco: Gal Gadot, Chris Pine, Kristen Wiig, Pedro Pascal, Robin Wright,
Connie Nielsen, Lilly Aspell, Natasha Rothwell, Amr Waked
Duração: 151 minutos


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