Crítica | Agents of S.H.I.E.L.D. – 7X12 e 7X13: The End Is At Hand // What We’re Fighting For

Parece que foi ontem que as primeiras notícias de que inspirados pelo então campeão de bilheteria da Marvel "Os Vingadores - The Avengers" a equipe da emissora ABC e o diretor Joss Whedon em parceria com Jed Whedon e Maurissa Tancharoen concordaram em criar uma série de televisão centrada na agência de super espiões (SHIELD - Superintendência Humana de Intervenção, Espionagem, Logística e Dissuasão), mas focando apenas em ameaças incomuns, claro que em um mundo em que Aliens, Deuses de outro mundos, pessoas geneticamente modificadas existem, um time de elite precisa ser formado, para proteger os humanos de ameaças que ninguém sabe que existe.


Com um inicio cheio de desconfianças e por estar localizada dentro do MCU alguns fãs mais apaixonados esperavam que os eventos da série interferissem nos filmes e visse e versa o que ocorreu parcialmente seja com participações pontuais de Nick Fury, Maria Hill, Lady Sif de Asgard, sempre que algum evento bombástico ocorria nos filmes tínhamos reflexos na série, mas o oposto não ocorria e os eventos da série nem sequer eram mencionados nos filmes do estúdio. Isso começou a mudar a partir do episódio que faz uma ligação com o 2ª filme do Capitão América (Soldado Invernal) onde a série começou definitivamente a andar com as próprias pernas sem ficar presa aos moldes do MCU.


A ligação entre ambos durou até o lançamento do 2ª Vingadores (onde é Coulson quem entrega a localização do Barão Von Strucker para Hill e os Vingadores vão até lá.) E na parte final é Coulson quem libera o Aeroporta-Aviões para Fury que ajuda os Vingadores a salvar os Habitantes de Sokovia do que a personagem Raina (uma inumana que podia ver o futuro) os avisa que homens de metal (Ultron) vão se multiplicar e arremessar cidade do céu (Sokovia) e destruir o mundo por consequência ... No mais depois disso a série se desprendeu do universo dos filmes e começou a seguir sua própria história. Então sem mais delongas vamos aos reviews dos últimos episódios da série.


7X12 - The End Is At Hand

😎😎😎😎 Excelente


Partindo de onde os eventos catastróficos do último episódio terminaram onde a SHIELD foi eliminada dessa nova linha temporal The End Is at Hand continua a estratégia de dividir a ação o espaço e o farol, com Mack, Daisy e Daniel Sousa em missão de resgate de Jemma e Deke diante da armada Chronicom invocada por Nathaniel Malick e Coulson, May e Yo-Yo lidando com Garrett na última base da agência. Conforme é explicado por duas vezes, o Farol não foi atacado a partir da órbita porque a base fora construída justamente para aguentar esses eventos cataclísmicos, o que faz sentido diante do que sabemos sobre a sobrevivência do local no futuro pós-Terra destruída em alguma outra linha temporal, mas não deixa de ser um fator “levantador de sobrancelhas” em relação à conveniência da coisa toda.
    
    Como deveria ser natural em um episódio que prepara para o derradeiro fim da série toda (estar escrevendo isso me dói bastante) Ele não tem muito movimento, seu objetivo maior é construir o clímax do retorno de Fitz que provavelmente chega mais para salvar o dia, mas sem o seu momento triunfal ainda que de forma bacana nos remetendo ao falecido Enoch. Entre a dissolução do implante de Jemma o que leva ela a ficar com suas memórias embaralhadas esquecendo de vez todos os seus amigos, a fuga até o bar de Koenig já cheio de agentes sobreviventes obedecendo a um sinal misterioso que os faz levar 084s para lá e a montagem de um gadget qualquer para trazer Fitz de sei-lá-onde-e-quando-ele-estava, tudo caminha bem compassadamente, como uma corrida de obstáculos simpática.

A volta da versão física de Sybil, a líder e oráculo Chronicom, é sem dúvida uma notícia boa que vem reforçar o lado vilanesco, especialmente para quem ainda não comprou Nathaniel como final boss. Não é meu caso, pois o sujeito já graduou de apenas chato e irritante para algo mais do que isso, mesmo que definitivamente longe dos grandes vilões da série que sem dúvida permanecem sendo Grant Ward, Aida/Ophelia/Madame Hidra e, claro, Dr. Leopold. Mas a comparação é até injusta e a reunião dele com Sybil que, por seu turno, traz sua frota de Chronicoms, parece trazer o nível de ameaça devido para o encerramento da série, já que, de certa forma, eles parecem encapsular diversas características históricas importantes da mitologia de Agents of S.H.I.E.L.D. como o roubo dos poderes de inumanos, robôs malvados, viagem no tempo e realidade virtual.

Do lado da ação, o breve embate entre Kora e Daisy retorna ao problema do episódio anterior sobre as indecisões quase infantis da primeira. Ao menos esse dilema parece ter chegado a seu fim, com seu aprisionamento por Malick e potencial uso dela como arma dos agentes no episódio de encerramento. Por seu turno, no Z1 a coisa anda de maneira bem mais interessante, com Mack e Sousa fazendo uma boa dupla com diálogos bem humorados que brinca com a “antiguidade” do homem deslocado no tempo e o bom coração do diretor da S.H.I.E.L.D. em uma troca que está lá muito mais para divertir do que para deslumbrar, já que não dá para não soltar uma risada com aqueles foguetes-Chronicom que eles usam para destruir a porta do hangar da nave invasora 

O ataque de Garret ao farol também anda bem, ainda que seja uma pena que o personagem em si acabe sendo desperdiçado sem necessidade ao final. Coulson com sua recém-descoberta habilidade tecnológica e May com sua recém-descoberta habilidade empática, o que basicamente moldam personagens contrários ao que eles eram antes, são bem tratados pelo roteiro de Jeffrey Bell, e com os poderes recém-amplificados de Yo-Yo também ganhando espaço para brilhar primeiro aprisionando Garrett, depois deslocando as bombas para um local só, ainda que teria sido bem melhor se a direção de Chris Cheramie tivesse usado câmera lenta à la Mercúrio nos filmes dos X-Men para mostrá-la em toda sua glória velocista.

The End Is At Hand cumpriu muito bem sua missão de nos preparar para o Gran Finale. Sybil está de volta e o mais importante Fitz também. Nos resta esperar que o capitulo derradeiro traga um encerramento digno para essa série baseada em quadrinhos mais simpatica e terna dos últimos anos.


7X13 What We're Fighting For
😎😎😎😎😎  Obra - Prima

Há alguns dias eu venho pensando em como eu gostaria que a Agents of S.H.I.E.L.D se encerrasse e a hipótese que mais fez sentido foi a de que desejava que essa experiência final apenas me deixasse com um sorriso no rosto. E que eu também não desejava nada muito mirabolante, bombástico ou surpreendente, mas que os personagens tivessem ao menos uma sensação de um "Final Feliz", Era o que a série merecia, e fico altamente feliz em constatar que essa minha hipótese/pensamento havia se concretizado, pois os Showrunners também pensavam assim, ainda que tenha deixado uma pontinha de amargo em um final um pouco agridoce.

Seria uma baita mentira se eu dissesse que eu só abri um sorriso ao final. Na verdade o sorriso ficou estampado na minha cara de bobo do início do episódio até o último segundo. (destaque para os diálogos da equipe com o recém-chegado Fitz começaram a ser ouvidos) ainda por sobre os créditos de abertura e continuou por quase toda sua duração, especialmente no dénouement alongado que fez com maestria o que raramente dá certo: calmamente informar o que cada membro da equipe anda fazendo após um pulo temporal de um ano. A grande verdade é que eu poderia ter facilmente apreciado um episódio inteiro só com uma versão alongada dessa “terapia virtual de grupo” intercalada com sequências breves de ação para ilustrar o que estava sendo contado.

E seria uma outra mentira se eu dissesse que este episódio foi perfeito. Não foi, a tão esperada e prometida luta entre Daisy e Nathaniel foi anticlimática e um pouco decepcionante, sem jamais deixar de realizar seu potencial e a resolução dos Chronicons ainda que interessante foi um tanto quanto corrida. Mas quer saber? Esse que vos escreve não liga nem um pouco como a avaliação acima deixa claro. Os pontos positivos ultrapassam e muito os pontos negativos e considerando que esse episódio é não só o encerramento da temporada, mas da série o que obviamente torna bem mais complexo do que o usual eu não não poderia deixa-lo de atribuir a nota máxima.

De certa forma eu comecei pelo final, então me permitam entrar em minha TARDIS e começar pelo começo.

O episódio não perde um segundo de tempo para colocar o plano de Fitz em funcionamento, plano esse que exige um caminhão de texto expositivo que, porém, com a direção de Kevin Tanchareon, foi brilhantemente costurado na ação, sem em momento algum tornar-se enfadonho ou didático. E a solução não só veio a galope, como também fez conexão com toda a trama de Vingadores: Ultimato, considerando que o uso de tecnologia de encolhimento e viagem pelo Reino Quântico é a chave para tudo. há tempos deixei de ligar para conexões com o UCM, mas a ideia de estabelecer essa ponte foi boa e combina com a estrutura que marcou a derradeira temporada de Agents of S.H.I.E.L.D., ou seja, a homenagem. Se os agentes voltaram para a linha temporal original em que o UCM se passa ou para a linha temporal já em tese bipartida a partir da 5ª temporada, não sei responder e não me importo. O que interessa mesmo é que essa conexão conversa bem com as demais feitas ao longo da série e também nesta última temporada, com menções ao soro do supersoldado, Caveira Vermelha e por aí vai.

Além disso, o roteiro de Jed Whedon é inteligente e reverte para o final da temporada anterior, transformando a 7ª em uma enorme e muito gratificante sidequest, lembrando um pouco o que De Volta para o Futuro II é para o original. O retorno de Piper, Flint – e, mais lá para a frente, de Davis na versão LMD – foi um toque inteligente também para amplificar as amarras com os eventos do ano passado, especialmente considerando que eles não são esquecidos ao final, como costuma acontecer com os coadjuvantes de luxo da série.

Muito do poder do episódio, porém, repousa mesmo na reunião de Jemma com Fitz. O fato de ela estar sem memória ajuda a atrasar esse grande evento praticamente até o último segundo da ação, mas esse artifício torna tudo mais saboroso ainda e com o pagamento de dividendos generosos de fazer ciscos caírem nos olhos de leitores desavisados com a revelação surpresa – que só surpreenderia mesmo quem não estivesse prestando atenção – da existência de Alya (Harlow Happy Hexum em seu primeiro papel), a filha do casal, escondida no módulo que Fitz usa para entrar no Reino Quântico e que permanece protegido por Piper e Flint.

Sob diversos aspectos, What We’re Fighting For é quase que um episódio-temporada, já que ele em grande parte supre e preenche todo o lapso temporal entre o final da temporada anterior e o encerramento da série. Esse é outro fator que o torna especial, ainda que, claro, ele só realmente seja perfeitamente compreensível (uso o “perfeitamente” com licença poética, pois eu mesmo não sei se o compreendi perfeitamente) com o acompanhamento da temporada que transforma Yo-Yo em uma velocista e não mais um ioiô inumano, Coulson em um LMD/Chronicom e May em uma empata, e isso sem esquecer da introdução de Kora, meia-irmã de Daisy, e do sequestro de Daniel Sousa de seu tempo.

Pode se perceber o carinho dos showrunners por seus personagens cada minuto que passa e talvez seja por isso que o final alongado como “terapia de grupo” funcione tão maravilhosamente bem. Cada personagem tem seu encaixe perfeito e lógico considerando tudo o que aconteceu com eles ao longo dos anos. Temos Coulson, talvez o personagem que mais passou por transformações desde que foi morto por Loki em Os Vingadores, em uma jornada solitária de auto-redescoberta com uma versão turbinada de Lola, cortesia de Mack, e cujo voo é uma piscadela à cena icônica correspondente da já longínqua 1ª temporada; temos Mack ainda como diretor da S.H.I.E.L.D. no aeroporta-aviões em construção e de sobretudo de couro preto à la Nick Fury; temos Yo-Yo como uma das melhores agentes de Mack (e ainda claramente junto dele romanticamente) trabalhando em missões variadas com Piper e Davis; temos May, sempre a mentora, e agora com toda a empatia do mundo, transferindo seus valiosos conhecimentos na Academia Coulson(!!!)

Para futuros agentes; temos Daisy em um merecidíssimo final feliz ao lado de Daniel Sousa e de sua irmã viajando pelo espaço no Z3 como astro-diplomatas e, acima de tudo, temos Fitz-Simmons finalmente reunidos para sempre, aposentados (mas nem tanto assim, já que Jemma continua secretamente trabalhando com Daisy) e cuidando de sua filhinha. Ah, e Deke, em outra linha temporal, não só fez um nobre sacrifício por seus avós e amigos, como também tem tudo para tornar-se um grande líder da S.H.I.E.L.D. por lá também (além de astro do rock, logicamente!). Se eu tivesse que parar e imaginar encerramentos dignos para cada um desses personagens, acho que não conseguiria jamais chegar perto da óbvia simplicidade que Jed Whedon criou aqui.

E eu percebi que meu sorriso não diminuiu nem mesmo depois que os créditos rolaram. Ele continou aqui em seu devido lugar enquanto essa enorme critica era escrita e por uma única razão: Os 7 anos que passei acompanhando a série valeram cada minuto.

Um adendo: A quantidade de possíveis spin-offs que a ABC ou o Disney+ tem em mãos a partir desses múltiplos finais é enlouquecedora. E desejo que esses spin-offs ganhem a luz do dia em um futuro o mais breve possível, já que é um crime não aproveita-los. Eu iria adorar um Agents of S.W.O.R.D. com Daisy, Sousa e Kora no espaço (e Jemma ajudando-a da Terra ou como um LMD ou como um holograma), Agents of Mack com o diretor e sua espingarda-machado liderando um grupo de elite composto por Yo-Yo, Piper, LMDavis e possivelmente Flint. Deke Squad num um universo paralelo (e nos anos 80, claro!), com Deke e seu agentes roqueiros botando para quebrar e que tal algo como The Cavalry, em que May e Coulson finalmente ficam juntos semi-aposentados numa casa pitoresca em um subúrbio americano, mas secretamente investigando casos bizarros muito na linha do antigo e saudoso Casal 20.

Agents of S.H.I.E.L.D. – 7X12 e 7X13: The End Is at Hand / What We’re Fighting For (EUA, 12 de agosto de 2020)
Showrunner: Jed Whedon, Maurissa Tancharoen, Jeffrey Bell
Direção: Chris Cheramie (7X12), Kevin Tancharoen (7X13)
Roteiro: Jeffrey Bell (7X12), Jed Whedon (7X13)
Elenco: Clark Gregg, Chloe Bennet, Ming-Na Wen, Iain De Caestecker, Elizabeth Henstridge, Henry Simmons, Natalia Cordova-Buckley, Jeff Ward, Enver Gjokaj, Tobias Jelinek, Thomas E. Sullivan, Dianne Doan, Byron Mann, James Paxton, Coy Stewart, Briana Venskus, Maximilian Osinski, Tamara Taylor, Harlow Happy Hexum
Duração: 43 min. (cada episódio)

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